Chipre do Norte ou Chipre invadido?

Chipre do Norte ou Chipre invadido?

Setembro 21, 2021 0 Por Christian Gutierrez e Priscila Gutierrez

Em uma viagem ao Chipre descobrimos que o país está dividido entre o Chipre e o Chipre do Norte, o Chipre é o país reconhecido, o Chipre do Norte só é reconhecido pela Turquia que ajudou nesse movimento de separação da Ilha em duas partes.

No meio dessa divisão tem uma zona desmilitarizada que parou no tempo, casas em ruínas, hotéis abandonados, uma coisa muito diferente e estranha, nós nunca tínhamos visto uma zona assim, é muito triste, está zona desmilitarizada está no centro do país indo de costa sul a costa norte, mas a parte com mais tensão e forte, é na cidade de Nicosia, a única capital do mundo de dois países.

História sobre o confito do Chipre

No lado oriental do Mediterrâneo encontramos a ilha do Chipre, um território que manteve o seu caráter estratégico ao longo da história. A sua dupla situação de ponte, por um lado entre o Oriente e o Ocidente, e, por outro, entre os continentes da Europa, África e Ásia, fez com que fosse um ponto de conflito histórico de interesses geoestratégicos e territoriais desde a antiguidade.

História sobre o confito do Chipre

Sob o domínio britânico a partir de 1878, tornou-se uma colônia em 1914 (no início da Primeira Guerra Mundial). A partir de 1931, começou a crescer o interesse pela união do Chipre e Grécia, movimento que cresceu nas décadas subsequentes. Com a colaboração de vários estados políticos e sociais, chefiados pelo Arcebispo Makarios III, o Chipre alcançou sua independência do Reino Unido em agosto de 1960.

Mas se existe um conflito que já dura no tempo, é aquele entre gregos e turcos, por questões como o controle político e militar da área ou os limites marítimos entre os dois.

Embora o Chipre nos seja apresentado hoje como um único país, está dividido em dois desde 1983: a República Turca do Norte de Chipre e a República de Chipre. Em julho de 1974, a Turquia invadiu a parte norte de Chipre, ocupando 37% do território da ilha, argumentando sobre a necessidade de proteger a população cipriota turca contra uma possível unificação de Chipre e Grécia. Este fato fez com que 150.000 cipriotas gregos tivessem de deixar a parte norte da ilha e que a Grécia renunciasse às suas reivindicações sobre o Chipre.

Em 1983 o governo turco concedeu independência a este território, formando a República Turca do Norte de Chipre (RTNC), sendo reconhecido apenas pela Turquia, enquanto a ONU e os governos dos países que o compõem apoiam a soberania da República de Chipre, que é membro da União Europeia (desde maio de 2004) e tem o euro como moeda. Entre as duas encontra-se a chamada Zona Verde ou Zona Desmilitarizada controlada por tropas da Força de Manutenção da Paz das Nações Unidas no Chipre (UNFICYP), organismo internacional criado em 1964 para garantir a paz na região.

Desde então, a Turquia vem mantendo diferentes movimentos de pressão em relação a Chipre e sua soberania. Aproveitando as relações com os países da região, a Turquia tem buscado a colaboração de diferentes estados para pressionar Chipre dentro do conflito, solicitando a retirada de planos de cooperação e prospecção conjunta do Líbano e Egito com Chipre ou tentando impedir qualquer exploração de petróleo no ao sul da ilha.

Guerra do Chipre

Em 2003, o então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, propôs o chamado Plano Annan para a reunificação de Chipre, tomando o modelo suíço como exemplo de solução possível, estabelecendo uma federação de dois estados unidos pela estrutura de um governo federal. Em abril daquele ano, foi realizado um referendo para ambas as partes aprovarem o plano: enquanto do lado cipriota turco ele foi aceito por 65% da população, mais de 75% dos cipriotas gregos o rejeitaram. Tanto os EUA como a UE tentaram aproximar as duas partes, mas os cipriotas gregos consideraram que quem se beneficiaria com este acordo seria o lado turco.

Em 2015, as negociações foram retomadas de forma muito positiva e em julho de 2017 houve uma nova tentativa de um processo de paz em Chipre para colocar fim a este conflito que está em vigor há mais de 40 anos. Apesar da intervenção da ONU como intermediária, com o seu Secretário-Geral António Guterres à frente, houve um novo fracasso. As negociações envolveram seis áreas distintas com questões como o desenho de novos limites territoriais, o equilíbrio da situação econômica, as garantias de segurança em um estado futuro, etc.

A riqueza de recursos da área e a importância geoestratégica têm marcado a complexidade deste confronto, acentuada pelo grande número de atores que intervêm de uma forma ou de outra: Chipre, Turquia, Grécia, ONU, UE, Reino Unido, Países vizinhos. Os interesses de um e de outro permanecem em conflito e a solução dependerá da capacidade de diálogo e de acordo que estejam dispostos a implementar.

Nicosia

Nicosia

Como comentei, a parte mais visível desse conflito está na cidade de Nicosia, ficamos um dia na cidade que é bem bonita dos dois lados, mas a Zona Verde é a parte triste com controles de fronteiras, armas, soldados é uma área parada no tempo.

Nós passamos para o lado do Chipre do Norte, passamos pela fronteira e apresentamos nossos passaportes, para sair e entrar, e depois para sair e entrar novamente na parte do Chipre.

No Chipre do Norte só conhecemos Nicosia, pois é bem difícil passar de carro para o outro lado e as locadoras não recomendam, e pelo que vimos as praias mais bonitas estão do lado do Chipre, então preferimos não arriscar.

Um dos lugares mais famosos de Nicosia é um bar que no fundo dele tem umas barricadas de bloqueio da Zona Desmilitarizada.

Foi uma experiência muito diferente passar por uma zona desmilitarizada, entrar em um país não reconhecido, mas o importante é que não teve nenhum risco e, não tem acontecido nada de confronto militar entre os dois lados ultimamente.

Zona desmilitarizada do Chipre